terça-feira, 15 de julho de 2014

XIX - ANJO PERDIDO

pintura de Anna Razumovskaya


ANJO PERDIDO


Concordei com a descoberta
Que pasmou a intimidade
A atmosfera é teu perfume
Que me deixa dessa forma



E como fosse desperta
Requintadas de verdade
Eram tuas luzes meu lume
Extasiadas por norma

Fascínio sentido à tez 
No toque retribuído
Foi ver-me louco de vez

‘ Champanhe’ em corpo fruído
Soberba em farta higidez
Tu és meu anjo perdido

(Miguel Eduardo Gonçalves)


sábado, 12 de julho de 2014

XVIII - APAIXONADAMENTE


Apaixonadamente

Do sexo a liberdade é temporada
Indissociavelmente da libido
E quanto mais a posse é então velada
O espasmo nos repassa ensandecido.

Triunfo dá-se em fome alimentada
 
Da natureza é lei e não conflito
Efêmero arrepio nos arrecada
Na pele é indisfarçável veredito...
 

E essa linguagem física é a cena
Que impaciente insiste c'os sentidos
Alargando-se à gente numa arena!
 

Que fins mais refinados acendidos
São esses que dominam à mão-pequena
Os dias que se vendem por gemidos?

Miguel Eduardo Gonçalves

terça-feira, 8 de julho de 2014

XVII - Convocação

foto a.matias


Convocação


Prazer em ondas que se cobra
Do orgasmo toda a saciedade,
Mostrando ao dia o amanhecer,



Que em novo rumo se desdobra
Sem sela e a pelo a intimidade
Nas águas desse acontecer.

Sentidos vindos por trejeitos
Exercidos à brasa lenta,
Brindando a noite doravante
És tu esse cenário incrível...

Do espasmo a gotejar conceitos
Por convites que a noite inventa 
Presente de um sussurro em diante
Trazido à noite coercível!

(Miguel Eduardo Gonçalves)

domingo, 6 de julho de 2014

XVI - ELIXIR


ELIXIR

Em noite que incandesce e apura o fato
Sob o vestido algo que algo que o adorna
E o faz sair de vez do anonimato
Pois frenesi do ânimo se torna

Maravilhado templo achado exato
Troféu não se demora e me suborna
Capricho que se afina em prol do ato
Em que a cintura vai depois retorna!

Por quão sutis instintos tu te achas
Aurora de uma saga de afazeres
Que ativa o sangue nosso, altera as marchas... 

Só permitindo assim que dos prazeres
Se criem novos dias que despachas
Reavivando a lua em teus arderes!


(Miguel Eduardo Gonçalves)










sexta-feira, 4 de julho de 2014

XV - INSINUANTE...



INSINUANTE...

Para o capricho pleno fecundar
Como clareia a lua a noite escura
Vai  no erotismo puro se afundar
Pois dessa lida afoita não descura

Debanda a timidez pela aventura
Que à viva gula vinda num olhar
Fogosa de trair a compostura
É aroma que esvoaça de molhar

Tanto agradece aos bis que até se ri
Guloseima que em lábios faz morada
Bailando insinuante em frenesi

Sutil essa vontade alucinada
Que une o corpo à língua, e nem aí
É pira que se faz desatinada

Miguel Eduardo Gonçalves


XIV - SEDUÇÃO

Foto de Denis Piel

Sedução

Na franca intimidade dê-se o toque
E o viço indisfarçável de um sacrário
Alastre-se combate involuntário

Qual pele se arrepia pelo choque
Por onde a sensação seja o sentido
Pensado inteiramente desvestido

Que é único o desejo e imprescindível
E maga sedução a sinergia
Que faz com que esse olhar se torne audível
Razão de um pensamento em sintonia

É sobre-humana força inconfundível
 Que faz daqueles corpos sinfonia
E os torna uma só nota iniludível
Do instante que o prazer mais contagia


(Miguel Eduardo Gonçalves)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

XIII - Preliminares



foto de yvan galvez


PRELIMINARES

No desejo de querer sublimar essa paixão
De um encanto me servi para impor-te o preferível
Como fosse o meu prazer escudado na razão
Que te desse as coisas vãs como as quer o iludível

Nessa casca de verniz teu pudor vai sucumbir
E por tanto quanto hás de adorar esse meu dote
Num incêndio em gozos mil queimarás até rugir
Pela chama que jamais tu verás que em mim se esgote

Pois teus olhos que um orvalho de amor há de banhar
É também paixão maior resolvida por um bis
Do romântico erotismo entreaberto à tentação

E então viva inspiração construída de um luar
Infinito e sedutor, sutilmente então me quis
No rigor da realidade a criar a conexão

(Miguel Eduardo Gonçalves)